Tenho passado meus dias de férias trancada em casa e com a mesma reclamação da minha mãe:
-Será que essa menina não vai sair desse quarto?!
Bem, eu acho que quando ela fala isso é, na verdade, uma intimação para que eu saia do meu casulo.Mas sincera eu penso pra que sair, se vou daqui pra sala ficar sentada.Ainda prefiro meu canto, lá ninguém me incomoda e o mundo me esquece, só lembra de mim quem tem meu telefone e só lembro do mundo por que esse insiste em tocar.
Penso, às vezes, que estou num castigo divino.Deus me enclausurou aqui para pensar muito bem no que tenho feito.Entretanto, como sempre meu pai diz:
-Castigo pra quê?Essa menina não sabe o que é castigo, mesmo tendo ficado bastante tempo nele.
Assumo que, quando eu era menor meu pai me deixava de castigo em casa de dois em dois dias, mesmo que a ordem sempre fosse uma semana... É! Eu sempre fugia de todos.E com esse não tem sido diferente, sempre que consigo, eu escapo com alguns amigos para um barzinho, sento a mesa, peço o cardápio, olho a tabela de bebida, olho para meus amigos...
-Garçom! Traz um chopp, por favor.
Logo depois, meu amigo sempre fala que mora tão longe que, não importa o quanto beba, sempre chega sóbrio em casa. Isso para mim sempre tem graça, a minha rotina desregrada (sim, um paradoxo, já que ter rotina significa seguir uma regra, mas não ligo para isso).
De repente, sobe alguém ao palco e pega o violão, aparece outro e se dirige ao teclado.O que será que eles vão tocar?!...Eu sempre comento com a pessoa ao meu lado que poderia começar com cazuza, de preferência, hoje, a música “O nosso amor a gente inventa”... Sei lá...Cada fase da minha vida pede uma música, e essa é a bola da vez.
Sempre canto empolgado nas partes “O teu amor é uma mentira que minha vaidade quer (...) te ver já não é mais tão bacana, quanto semana passada”.Não queria só escutar isso dito por Cazuza, mas também por meus lábios, e para quem, só eu sei.Bom, mas isso não vem ao caso.
As conversas começam a surgir, a essa altura não quero mais saber Newton, Darwin, ou qualquer outra pessoa que criou alguma regra pra complicar a vida dos vestibulandos.Mas sim, do que posso fazer para em divertir, rir de piadas de bar, falar da roupa ou de qualquer outro adereço de alguém que acaba de chegar, admirar a beleza de outros, quizá, dançar, e dançar muito, sem importar o ritmo que está tocando (que saudade de usar a palavra “Quizá”... é! Coisas do vestibular).
Mas também quero uma vida que, na trilha, tenha um ritmo quente e, na história, um amor verdadeiro. Mas isso, já são outros quinhentos.
quarta-feira, janeiro 24, 2007
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3 comentários:
fala rafa !! blz ??? Que que isso hein ?!?!? ta igual a uma jornalista nesse blog !! Parabens hein !!! uahauhau passando pra te dar uma moral !!! bjo minina e manda noticias
O importante é que vc viva.
And it goes.
Por enquanto, só quero a trilha.
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